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SoluçõesParte 2 de 4Temperatura na prática

Ar de saída: por que a carga pode congelar mesmo com o set point certo

Com o controle pelo ar de retorno, o equipamento de refrigeração pode insuflar ar bem abaixo da faixa da carga e congelá-la. Entenda o mecanismo.

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Caminhão com o baú refrigerado aberto: ar frio sobre caixas paletizadas e um sensor na parede interna.

Há muitos modelos de equipamento de refrigeração para transporte, e a função de todos é a mesma: preservar a carga, mantendo a temperatura dentro dos limites ideais. Para isso, o equipamento resfria o ar e o insufla no baú.

É nesse ar que está um risco que o set pointTemperatura desejada, programada no equipamento de refrigeração., sozinho, não mostra. Para chegar logo à temperatura programada, o equipamento pode insuflar ar muito abaixo do limite mínimo da faixa de conservação do produto e congelar a carga, mesmo com o set point certo.

Como o frio chega à carga

O ar é aspirado do interior do baú ou da câmara fria, troca calor com a máquina e volta insuflado a uma temperatura mais baixa, até que o compartimento atinja os parâmetros ou a faixa especificados pelo operador. Esse ar insuflado é o ar de saídaAr que sai do equipamento de refrigeração e é insuflado no interior do baú ou da câmara fria; também chamado de ar insuflado ou de insuflamento..

Como o equipamento busca estabelecer a condição ideal o mais rápido possível, o ar de saída pode estar muito abaixo do limite mínimo da faixa de conservação do produto transportado.

O exemplo das frutas

O texto original de Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi dá um exemplo. Imagine uma carga de frutas com faixa ideal de conservação de 7 °C a 10 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteExemplo do texto de 2020 (Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi). Para equalizar todo o interior do compartimento dentro dessa faixa, o equipamento pode liberar ar de saída a −5 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteExemplo do texto de 2020 (Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi), ou seja, 12 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteConta com os números do exemplo do texto de 2020Conta7 − (−5) abaixo do limite inferior da faixa.

Faixas de referênciaExemplo do texto: faixa das frutas × ar de saída
  • Faixa ideal de conservação das frutas do exemplo7 a 10 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteExemplo do texto de 2020 (Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi)
  • Ar de saída no exemplo−5 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteExemplo do texto de 2020 (Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi)

Set point certo, carga congelada

O texto sobre telemetria descreve como isso acontece. Quando o equipamento está configurado para controlar o set point pelo ar de retorno, ele tende a não controlar a temperatura do ar que sai pelo duto. Para atingir o set point mais rápido, insufla ar bem abaixo da temperatura programada, e a mercadoria acondicionada pode congelar.

Resultado: a referência que o equipamento acompanha pode estar certa enquanto a carga atingida diretamente pelo ar de saída recebe ar muito mais frio.

Corte do baú refrigeradoO que o equipamento mede × o que a carga recebe
Escolha o que destacar

Controle pelo ar de retorno Com o set point controlado pelo ar de retorno, o equipamento tende a não controlar a temperatura do ar que sai pelo duto.

O que sai no duto Para atingir o set point mais rápido, o equipamento insufla ar bem abaixo do programado. Esse frio em excesso atinge diretamente a superfície da carga e pode congelá-la.

Faixa ideal das frutas do exemplo
7 a 10 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteExemplo do texto de 2020 (Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi)
Ar de saída
−5 °CExemplo ilustrativoExemplo para explicar o conceito. Não é medição.FonteExemplo do texto de 2020 (Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi)

Modo de operação e erro do operador

Configurar o equipamento corretamente exige cuidado. Os equipamentos atuais têm muitas configurações e dispositivos, como os modos de operação automático e contínuo, pensados para manter a temperatura constante durante o transporte. O modo escolhido interfere drasticamente nas regras de controle programadas pelo fabricante da máquina. O post sobre fat bloom em chocolates, desta mesma série, mostra como o modo muda o set point máximo recomendado.

Há ainda o erro humano: se o operador selecionar errado a temperatura ideal, a carga pode ser perdida por inteiro.

O que o frio em excesso faz com a carga

Nas frutas do exemplo, o frio que incide diretamente sobre a superfície pode desencadear uma sequência de danos que termina num shelf-lifeTempo de prateleira. menor.

EtapasDo frio em excesso à prateleira
  1. Frio direto na superfície

    O ar de saída, muito abaixo da faixa, incide diretamente sobre a superfície das frutas.

  2. Dano ao produto

    Podem surgir queimaduras, escurecimento enzimático e perda de vitaminas e de atributos organolépticos.

  3. Barreiras naturais destruídas

    A fruta que ainda chega ao mercado em condições de venda oferece condições mais propícias ao desenvolvimento de micro-organismos.

  4. Menos tempo de prateleira

    O resultado é um shelf-life menor e risco à saúde do consumidor.

Situações parecidas, com prejuízos maiores ou menores, acontecem com cargas de cárneos, lácteos, pescados, medicamentos e flores, entre outras. Alimentos funcionais, como probióticos e vitaminas, podem perder seus benefícios, e vacinas podem deixar de fazer efeito.

Para os autores, esse desvio no ar de saída é um dos principais motivos de perdas parciais e de prejuízos econômicos consideráveis para transportadores e embarcadores. No fim, toda a sociedade perde, com o desperdício de produtos e o risco à saúde pública.

O mesmo descompasso numa leitura real

O exemplo das frutas é ilustrativo, mas o padrão aparece numa captura real da plataforma KOHMNECT, publicada no site antigo da Neokohm. A leitura é de uma carga congelada: o set point estava em −20 °CDado realValor registrado na fonte citada.FonteCaptura da plataforma KOHMNECT, 23/07/2020 18:57:07 e o ar de retorno marcava −18,8 °CDado realValor registrado na fonte citada.FonteCaptura da plataforma KOHMNECT, 23/07/2020 18:57:07, dentro da faixa de −24 °C a −18 °CDado realValor registrado na fonte citada.FonteCaptura da plataforma KOHMNECT, 23/07/2020 18:57:07. No mesmo instante, o ar de saída estava em −28,9 °CDado realValor registrado na fonte citada.FonteCaptura da plataforma KOHMNECT, 23/07/2020 18:57:07, 4,9 °CDado derivadoCalculado a partir de dados reais, com a conta indicada.FonteCaptura da plataforma KOHMNECT, 23/07/2020 18:57:07Conta−24 − (−28,9) abaixo do mínimo da faixa.

A captura não informa se houve dano à carga. Mostra, porém, que o set point e o ar de retorno, sozinhos, não revelam o que sai pelo duto. A leitura completa está em Como ler uma leitura de telemetria.

Acompanhar durante a viagem

Os registradores de temperatura (dataloggers) costumam ficar no interior do baú e medem a parte da carga onde estão instalados ou o ambiente ao redor. Quando o registro só é lido no destino, ele valida o acondicionamento depois que a viagem acabou: um desvio no meio do caminho só aparece quando a carga já chegou.

Acompanhar a temperatura durante a viagem muda esse momento. É a proposta do BTHD100, o sensor de temperatura, umidade e porta da Neokohm: dentro do baú refrigerado, ele acompanha a carga do embarque à entrega e, se algo sai da faixa, a equipe sabe durante a viagem, não no destino.

O texto de Sarturi e Chiodi já apontava nessa direção: acompanhar a temperatura durante o trajeto dá ao transportador e ao embarcador agilidade para evitar prejuízos, e os relatórios permitem conferir o desempenho do frio durante todo o percurso.

Na prática, vale acompanhar:

  • a temperatura do ar de saída, e não só o set point e o ar de retorno;
  • a configuração do controle: se o set point é controlado pelo ar de retorno e qual é o modo de operação;
  • a temperatura ideal programada pelo operador, para evitar erro de seleção;
  • o registro durante a viagem, para agir antes que a carga chegue ao destino.

Fontes desta leitura

  1. Por que monitorar a temperatura do ar de saída? Implicações na qualidade de carga

    Texto de Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi, base desta leitura: ciclo do ar, exemplo das frutas e danos à carga.

  2. A importância da telemetria de equipamentos de refrigeração

    Controle pelo ar de retorno, modos de operação, erro do operador e registro lido ao fim da viagem.

  3. Embarcadores: KOHMNECT, seção Software Web

    Captura da plataforma de 23/07/2020 18:57:07, de uma carga congelada: set point, ar de saída, ar de retorno e faixa de −24 °C a −18 °C.

  4. BTHD100, sensor de temperatura, umidade e porta (site atual da Neokohm)

    Seção Rastreamento em tempo real: acompanhamento da carga dentro do baú refrigerado durante a viagem.

Autoria original Geiza N. Sarturi e Wagner Chiodi

Fim da leitura

Chegada ao destino

Em resumo

  1. O ar de saída, que o equipamento insufla no baú, pode ficar muito abaixo do limite mínimo da faixa de conservação do produto, mesmo com o set point certo.

  2. Com o set point controlado pelo ar de retorno, o equipamento tende a não controlar o ar que sai pelo duto, e o frio em excesso pode congelar a carga e reduzir o shelf-life.

  3. O registro lido só no destino valida a viagem depois que ela acabou; acompanhar a temperatura durante o trajeto dá tempo de agir.

Quer levar esta leitura para a sua operação? Converse com um especialista da Neokohm.

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